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sábado, 3 de dezembro de 2011

O ser humano sustentável começa dentro de casa

Você está criando seu filho para ser um adulto sustentável? A pergunta pode até parecer estranha, mas é pertinente. Veja só uma coisa: baseado na sustentabilidade, estamos buscando fazer com que os recursos sejam renováveis, que não haja desperdício e nem extração em excesso, que não se altere em definitivo determinadas configurações naturais do planeta e coisas do gênero, visando promover um mundo melhor apesar do avançado estágio de degradação de nosso habitat original.

Baseado nessa análise, coloco você a fazer uma avaliação no processo de educação de uma criança para poder responder à pergunta: seu filho será um adulto sustentável? Ele será capaz de promover uma sociedade justa, ética, saudável e responsável?

Vamos aos itens:

1 - Seu filho quando nasce é declarado HOMEM ou MULHER. Nesse caso deve ser criado para pensar e agir como tal. O homem em sua essência é o provedor de recursos, é o que protege a família, o que age com a cabeça. A mulher é quem gerencia a família, amamenta e cria filhos, provém os recursos para apoiar o homem em sua rotina, a que age com o coração. Isso não significa que ambos estejam inaptos ou proibidos para inverter e compartilhar os papéis e funções quando adultos (o que vai acontecer naturalmente), mas na educação de crianças acredito que elas devam ser encorajadas a reconhecer o seu papel em uma relação coletiva e matrimonial, respeitando-se a ordem natural e orgânica do ser humano que pode, mesmo que subjetivamente, ser preservada para que haja uma escala de valores a ser seguida por toda a vida.

2 - Seu filho quando cresce conhece a si próprio como FILHO, ou seja, é dependente e deve OBEDIÊNCIA ao pai e à mãe. Assim deve ser introduzida a disciplina, onde desde cedo o filho vai compreender que por toda a sua vida deverá obedecer a determinadas hierarquias, aprendendo que há momentos para obedecer e momentos para mandar. A criança que não aprende disciplina será um problema para a sociedade no futuro. Mas cuidado: disciplina não é repressão e nem espancamento. O castigo e a palmada educativa devem ser dados na medida certa. Há livros que ensinam como disciplinar crianças, vamos estudar para fazer bem feito.

3 - Seu filho após certa idade aprenderá a fazer distinção do CERTO e do ERRADO, já saberá fazer juízo das coisas, e portanto estará apto a receber lições sobre RESPEITO. A criança que aprende a respeitar compreende seu espaço e seu papel em um contexto social. Viver coletivamente obriga os pais a ensinarem o que é respeito, tolerância e humildade para saber decidir o que é bom para todos e o que é bom para si, para que assim aprenda a desfrutar de tudo o que se gosta, mas sem prejudicar quem está em sua volta.

4 - Crescendo mais um pouco seu filho iniciará a sua luta pessoal àquilo que seu coração almeja, e aí entram os conselhos sobre o que é LÍCITO e o que é CONVENIENTE. A criança deve aprender a discernir o que é bom e o que é ruim, pois já estará capacitada a fazer avaliações mais elaboradas sobre tudo o que está em sua volta. Não o estimule à vaidade, pois isso gera consumismo pelo fútil. Faça-o convicto de que ele é bonito por natureza, e deixe que preocupe-se com colares, brincos, artigos de grife e maquiagem depois de adulto. Explique a ele o que não faz bem para sua saúde, como o cigarro, a bebida e as drogas, e assim poderá ficar tranquilo com sua capacidade de compreensão e decisão diante da oportunidade que aparecer-lhe de experimentar. Lembre-se que o seu vínculo e relacionamento estabelecido com ele desde bebê o fará aceitar facilmente seus conselhos. Mas não deixe de explicar suas razões, para que ele concorde com os motivos de sua argumentação sobre todas as coisas abordadas. Criança é como uma esponja seca: é capaz de absorver e aprender muito mais do que você possa imaginar. Não deixe de ensiná-lo em casa antes que ele chegue às próprias conclusões assistindo Malhação, Rebeldes, Pica-pau e Xou da Xuxa.

5 - Na fase entre 3 e 10 anos poderá estimulá-lo a fazer o bem, de modo que ele sentirá prazer em COMPARTILHAR seus brinquedos, seu lanche e suas brincadeiras com outras crianças. Isso fará dele um moço e um adulto sem egoísmo, desapegado das coisas materiais e não-consumista. A idéia de posse e vaidade na infância não traz nenhum benefício à criança, e ajudá-la a partilhar suas coisas com outras pessoas o fará um adulto mais leve e menos compulsivo em "possuir".

6 - Instintivamente seu filho aprenderá que vencer é bom e a COMPETITIVIDADE surgirá naturalmente de dentro dele. Ali cabe aos pais dosar sua competitividade para que seja algo saudável e não destrutivo, substituindo a rivalidade pela busca por um melhor desempenho e consequente vitória. A rivalidade e a frustração mal trabalhada pode alimentar a inveja e a trapaça, sentimentos que não devem ser introduzidos na vida da criança. Não o desestimule a vencer e aceite que ele se aborreça após uma derrota, mas nessa situação não deixe cair o seu semblante e mostre com otimismo que com mais treino poderá evoluir cada dia mais naquilo que gosta. Ensine-o a valorizar as qualidades de seus oponentes, pois é importante saber reconhecer que você não é o melhor em tudo, pois há também pessoas muito boas além de você. Isso ajudará seu filho a ser um adulto maduro e humilde, porém entusiasmado em superar suas fraquezas.

7 - Durante seu amadurecimento a criança já começa a perceber claramente o que é seu, e aí os pais devem ensiná-lo a ZELAR, pois tudo tem um preço, e mesmo que algo deixe de servir para a criança por alguma razão, esse objeto, roupa ou utensílio pode ser utilizado também por outras crianças, desde que ele tenha zelado do que era seu.

8 - Algo que mesmo sem pensar a criança começará a decidir é sobre o que ela gosta de COMER. Sobre esse assunto os pais devem ter máxima atenção, ajudando-o a conhecer os alimentos e saber que benefícios eles trazem para sua saúde. Não é preciso privá-lo de coisas que ele vai ter acesso mais cedo ou mais tarde, como balas, refrigerantes e chips, mas é preciso ensiná-lo que seu consumo desenfreado não lhe faz bem, e que eventualmente podem ser consumidos apenas para saciar a vontade. A criança deve ser estimulada a experimentar todo tipo de alimento natural, e seu consumo deve ser levado a sério, para que cresçam bonitos e saudáveis. Não faça da magreza uma necessidade. Se ele alimentar-se corretamente terá saúde, sendo mais magro ou mais gordo em seu esteriótipo, e isso não faz a menor diferença.

9 - Ao adquiriem habilidade em alimentar-se com as próprias mãos as crianças já podem ser ensinadas a HIGIENIZAR-SE. Ensinando desde cedo sobre a importância da limpeza e sobre os prejuízos e riscos da sujeira, formaremos filhos responsáveis e zelosos de si mesmos e do seu habitat, cumprindo instintivamente com regras simples como escovação dos dentes, lavagem das mãos e depósito do lixo em cestos de lixo.

10 - As crianças devem ter sua AUTO ESTIMA sempre estimulada para que se sintam capazes, queridas, admiradas e principalmente amadas. Elogios são bem vindos, mas nunca em tom comparativo para que se sintam melhores ou mais belas do que alguém. Apenas elogie, vibre, parabenize por coisas que eles produzam, criem ou apresentem a vocês. Isso fará deles pessoas positivas e também estimuladoras de outras pessoas para que todos alcancem o sucesso. Crianças positivas aprendem melhor, gostam de aprender e de apresentar bons resultados, e o seu desempenho escolar será sempre bom, tornando a escola um lugar gostoso para eles. Crianças positivas são seguras de si, não têm complexos e não são presas fáceis do bullying. Mas a sua auto afirmação deve ser estimulada pelos pais, para que tenham sempre uma boa auto estima.

Essas são minhas dicas para a formação de adultos sustentáveis. As ferramentas para se chegar a cada uma delas são muitas, e invariavelmente são dependentes de muito AMOR, dedicação e cumplicidade através dos pais. A religiosidade é muito importante para a formação de um adulto, pois a criança poderá crescer inspirada e condicionada a algo por toda a sua vida. Através da religião ela terá um norte para guiar seus passos e sua conduta. Seguindo uma religião e tendo Deus como seu guia a criança jamais se perderá mesmo diante de percalços, pois saberá que há Alguém a quem recorrer e Alguém que o acompanha silenciosamente a todo instante.


Formando adultos sustentáveis poderíamos, quem sabe em um futuro distante, abolir as cadeias, os reformatórios de menores, a poluição, a guerra, a miséria, o ódio...

E é por isso que acredito que a construção de um mundo melhor cabe aos pais. Se todos fizessem a sua parte hoje não estaríamos reclamando da corrupção, da droga, da poluição e das injustiças sociais.

Nunca é tarde para iniciar a construção de um mundo melhor através de adultos sustentáveis. Promova essa idéia!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A conduta da família como o reflexo da sociedade futura

Que relação tem a família com o desajuste da nossa sociedade, baseado no aumento da criminalidade, tráfico de drogas e jogo de influências? Estou escrevendo esse post estimulado por uma opinião antiga que tenho sobre o valor da família na sociedade e também pelo artigo Educar da Carol Sakurá no blog do Léo Argônio, meus grandes amigos internautas.

O fato é que nossa sociedade vai de mal a pior, e meu otimismo segue sucumbindo, já naquele estágio de "vou cuidar da minha vida porque já cansei de me preocupar com a dos outros". Mas acho que posso ser menos egoísta do que isso. Acho que podemos brigar mais para tentar construir uma "sociedade sustentável", aquela que não se auto-destrua com o passar do tempo.

Explico melhor:

Como resolver o problema da criminalidade? Antecipando-se ao problema e impedindo o surgimento de novos criminosos...

Como resolver o problema das drogas? Antecipando-se ao problema e impedindo o surgimento de novos usuários...

Como resolver o problema da injustiça? Antecipando-se ao problema e introduzindo-se a educação e os valores sociais desde a infância...

Simples assim. Do mesmo jeito que se previne a gravidez indesejada utilizando a camisinha. Do mesmo jeito que se previne a paralisia infantil através da vacina. Do mesmo jeito que se previne a obesidade através do regime. Mas como fazer isso, se já distribuímos panfletos explicativos, fazemos propagandas sensacionalistas na TV, colocamos fotos chocantes no maço de cigarro, proibimos consumo de álcool a menores e damos palestras sobre drogas nas escolas, e nada disso funciona?

O plano é o seguinte: abriremos concurso público para assistentes sociais, pedagogos e teólogos e daremos treinamento sobre como educar uma criança e prepará-la para a vida adulta.

Está mais do que claro que as famílias já não têm mais a mesma estrutura de antigamente. Mães criando filhos sozinhas; filhos crescendo sem a presença materna na maior parte da sua infância; mães que passam 3 horas no trânsito e trabalham de dia para trazer algum trocado a noite para a manutenção da casa... o mundo não é mais o mesmo, e a sociedade já não é mais formada por uma mãe dona de casa e um pai provedor de recursos.

É preciso compreender que existe uma nova necessidade social: a necessidade de se preparar um pai e uma mãe para que cumpram suas rotinas e ainda consigam dar foco à educação do futuro cidadão em formação.

Quantos pais e mães não sabem como lidar com os problemas do filho em cada fase de seu crescimento? Milhares... Filhos problemáticos em sua maioria são frutos de pais desorientados, mal preparados e imaturos para a condução da educação, daquela educação que a escola não ensina (e nem é o papel dela).

O que espero de nossos governantes é que interpretem melhor os problemas do presente e tratem não apenas das punições de infratores, mas da educação dos pais, que são os primeiros e principais educadores e formadores de cidadãos. O futuro de uma sociedade sadia está 100% nas mãos dos pais de hoje.

Daí vem a proposta, o meu "Plano de governo". Através da contratação maciça de uma equipe de profissionais qualificados (assistentes sociais, pedagogos e teólogos), iniciaríamos um projeto de educação familiar desenvolvido nas associações de bairro de cada cidade, gratuito para toda a sociedade. O programa ofereceria cursos em forma de palestras com programação específica para cada etapa do desenvolvimento de uma criança, considerando-se a idade de 0 a 18 anos, onde adquire-se a maioridade. O curso não teria fim, seria repetido à exaustão, pois cada etapa do programa deverá ser aproveitada por todas as mães, cujos filhos crescem e a mãe necessita de novas informações, enquanto novas crianças vão nascendo e crescendo.

Esse programa proporcionará ganhos sociais incalculáveis no prazo de 10 anos, algo que será visível no âmbito mundial: um Brasil melhor e mais seguro para se viver, formado por pessoas maduras, conhecedoras e praticantes de valores sociais. O programa também disponibilizaria os educadores para consultas pessoais, com hora marcada, para mães e pais que necessitem de orientações diversas, pois cada criança é de um jeito, e algumas delas precisam de programas específicos de educação e reeducação.

Chega de Criança Esperança! O problema não está nos filhos... Precisamos de pais educadores, pais preparados e conscientes para criar seus filhos.

Parece loucura isso? Pode parecer, mas basta querer. Se demorar a acontecer vamos continuar a nos lamentar das mazelas de nossa sociedade, dando mais audiência ao Datena do que à Super Nanny. E assim caminha a mediocridade...

O próximo passo é levar essa idéia a quem tenha alguma influência no congresso nacional... ou fundar uma ONG, o que demandaria 100 anos para solucionar o mesmo problema. Enfim, para tudo há um começo... a sorte está lançada.

Saudações a todos!!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sustentabilidade social e cultural. Uma receita para o Brasil dar certo

Muito se fala sobre a economia sustentável, modelos de gestão "verde", reaproveitamento e economia dos recursos naturais, reengenharia da alimentação com foco nos primeiros rudimentos agrícolas, livre de agrotóxicos, etc.

O que pouco tem se falado é sobre o início de um processo de sustentabilidade social e cultural. O mundo capitalista só se preocupa com o dinheiro e fontes de renda sob o ponto de vista organizacional, pouco pensando no real bem estar social. Digo isso, como já escrevi em outro texto, sobre a falta de investimentos da rede pública em informações práticas e preventivas para a população a fim de se evitar contágio de doenças com a nova gripe da moda. Por que tanto investimento em divulgar os sintomas das doenças e como evitar sua transmissão, e tão pouco investimento em divulgar métodos caseiros de se alimentar melhor aumentando a resistência física e o impacto das viroses?

Pouco se faz para promover o bem estar social, o convívio humanitário de qualidade, a qualidade de vida real e presente no dia a dia. É uma cadeia que se inicia na falta de avaliação de alguns fatores em sua essência: se é comprovado que o alimento orgânico oferece cerca de 60% mais nutrientes que o alimento convencional, por que é que não se fomenta sua produção com incentivos fiscais desde a agricultura, industrialização e revenda? Numa avaliação em escala a saúde das pessoas tende a melhorar, a utilização do SUS tende a ser menor, os planos de saúde tendem a baratear (bem como a linha de medicamentos, cuja demanda manipula o preço), onde no final das contas quem ganha é o cidadão.

Se o preço do alimento orgânico baixar toda a cadeia produtiva terá que se mobilizar. Mas isso requer um programa de sustentabilidade social, onde os interesses à qualidade de vida dos cidadãos superem aqueles dos lobistas dos grandes produtores de implementos agrícolas e alimentos “longa vida”, cheios de componentes artificiais.

E a sustentabilidade cultural? É aquela onde se prima pelo amadurecimento cultural, e por que não dizer o "nascimento" cultural, num país onde se faz campanha pela leitura mas não se incentiva o menor custo das obras literárias e científicas desde o início do processo produtivo... A redução da circulação de jornais impressos pode significar déficit cultural. Portanto, seu acesso ao grande público deveria tornar-se objetivo de um plano de sustentabilidade cultural.

Dizem que um jornal televisivo utiliza no máximo 350 termos do vocabulário português, o que significa admitir que o consumidor desse veículo é leigo e aculturado. Se isso é fato assumido, quando é que vamos agir para reverter esse quadro?

O Brasil, enquanto admitir que sua população é despreparada e nada fazer para reverter esse quadro, será um país governado por oportunistas, será um país dominado por minoria, será um país de terceiro mundo tão orgulhoso e assumido quanto o SBT quando era o segundo colocado "disparado" em audiência e hoje briga para não cair para o quarto lugar.

Se no plano da sustentabilidade cultural e social primassem pela educação e pela qualidade de vida da população, milhões que são gastos para a manutenção de presídios seriam investidos na educação fundamental, com escolas públicas que ensinassem de fato, tal e qual as particulares, para que a juventude buscasse meios de vida alternativos à marginalidade. Antigamente, meninas sonhavam com o magistério, professora era uma referência e uma profissão de respeito. Hoje professor da rede pública é mote de piadas de mau gosto, principalmente no quesito “remuneração”. E todo ano milhares de adolescentes são jogados à marginalidade, por total falta de um programa decente de sustentabilidade social e cultural.

Meu desfecho para isso é: um grande passo pode ser dado pela sociedade calejada e abandonada quando passarem a privilegiar administradores públicos que tenham princípios na educação de base, na reconstrução de uma sociedade educada e preparada para vida.